A recente disparada nas tarifas de frete na rota transpacífica reacendeu a corrida por navios disponíveis para afretamento imediato. Com o aumento da demanda e a instabilidade geopolítica global, as companhias de navegação têm priorizado contratos mais curtos com embarcações livres (open tonnage), evitando compromissos de longo prazo. A incerteza em torno de novas tarifas comerciais nos EUA, especialmente em um possível segundo mandato de Donald Trump, contribui para a hesitação em fechar acordos estendidos.
Segundo fontes do setor, a estratégia atual é garantir flexibilidade para adaptar operações rapidamente diante de oscilações no mercado. Os armadores estão mais seletivos quanto à duração dos contratos, e os operadores preferem períodos de afretamento de dois a três meses. A precaução se justifica: em um mercado altamente volátil, compromissos longos podem resultar em prejuízos caso os preços recuem ou políticas comerciais mudem abruptamente.
Com essa dinâmica, a oferta de navios livres tornou-se extremamente limitada. A Linerlytica destaca que todas as embarcações acima de 4.000 TEUs — incluindo aquelas previstas para realocação — já estão contratadas ou foram removidas do mercado. Em alguns casos, unidades menores também vêm sendo absorvidas por operadores regionais tentando manter sua capacidade mínima diante da pressão crescente sobre o mercado de fretes.
O Índice de Frete Contenerizado de Xangai (SCFI) refletiu esse cenário com o maior salto semanal em meses. O frete com destino à Costa Oeste dos Estados Unidos subiu 58%, atingindo US$ 5.172 por contêiner de 40 pés, enquanto para a Costa Leste houve elevação de 46%, com tarifas médias de US$ 6.243. Trata-se de uma retomada expressiva dos patamares observados durante os picos da pandemia, gerando preocupação entre embarcadores que dependem da rota Ásia-América do Norte.
Além disso, os valores de afretamento por dia também dispararam. Navios com capacidade entre 4.200 e 8.000 TEUs estão sendo contratados por tarifas que variam de US$ 50.000 a US$ 85.000 por dia — um aumento de 37% a 47% em relação ao mesmo período do ano passado. A tendência é que esse movimento continue, especialmente com a reativação de serviços antes suspensos e a realocação de capacidade para atender à demanda norte-americana.
A falta de tonelagem disponível pressiona armadores e afretadores, que agora enfrentam custos mais altos e prazos mais curtos para garantir embarcações adequadas. As estratégias para o segundo semestre devem incluir negociações mais ágeis e planejamento logístico antecipado, especialmente para empresas com volumes regulares de exportação ou importação entre América Latina, Ásia e América do Norte.
O cenário atual exige atenção redobrada de embarcadores brasileiros que utilizam rotas transpacíficas. A instabilidade nos custos de frete e na disponibilidade de capacidade pode impactar diretamente margens comerciais, prazos de entrega e competitividade internacional. Recomendamos acompanhar de perto os movimentos de afretamento e revisar os cronogramas logísticos com base no comportamento das tarifas spot.