granjas comerciais
O Brasil suspendeu temporariamente as exportações de carne de frango após a confirmação de novos focos de gripe aviária (H5N1) em granjas comerciais. A medida, de caráter preventivo, visa conter a disseminação do vírus e preservar a credibilidade sanitária do país perante os mercados internacionais. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a decisão foi tomada em conformidade com os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), à qual os casos foram oficialmente notificados. O governo reforça que a suspensão é temporária e poderá ser revista à medida que os focos forem controlados e novas autorizações sanitárias forem emitidas pelos países parceiros.
O impacto da medida é significativo, considerando que o Brasil é atualmente o maior exportador mundial de carne de frango, com embarques que ultrapassaram 4,8 milhões de toneladas em 2024. A proteína brasileira é amplamente consumida em diversos mercados, incluindo China, Emirados Árabes Unidos, União Europeia, Japão e África do Sul. A interrupção das exportações afeta diretamente esse fluxo, com reflexos na cadeia produtiva nacional e no faturamento de frigoríficos, cooperativas e integradores. As perdas financeiras podem ser ainda mais expressivas caso a paralisação se estenda por várias semanas ou se traduza em barreiras comerciais mais duradouras. De acordo com entidades do setor, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), alguns países importadores já começaram a redirecionar seus pedidos para outros fornecedores, como Tailândia, Argentina e Estados Unidos. Essa movimentação acende o alerta sobre a possibilidade de perda de mercado e a dificuldade de retomar a posição anterior mesmo após o controle do surto. A concorrência internacional, especialmente em um momento de instabilidade sanitária, representa uma ameaça à liderança brasileira no setor que exige uma resposta ágil das autoridades sanitárias e diplomáticas.
Em paralelo à suspensão das exportações, o governo federal e os órgãos estaduais estão intensificando as ações de vigilância e contenção da doença. As medidas incluem o isolamento imediato das áreas afetadas, bloqueio e controle do transporte de animais, desinfecção de instalações e equipamentos, além de reforço na fiscalização de propriedades avícolas e postos de fronteira. As autoridades também estão promovendo campanhas de conscientização junto a produtores e profissionais da cadeia avícola para garantir a aplicação rigorosa dos protocolos de biossegurança. A prioridade é evitar a propagação da doença e restaurar a confiança dos parceiros comerciais o quanto antes.
Apesar dos casos em granjas comerciais, os órgãos de saúde reforçam que não há risco à saúde humana relacionado ao consumo de carne de frango ou ovos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Anvisa afirmam que o vírus H5N1 não é transmitido por meio da ingestão de alimentos devidamente cozidos. O consumo continua seguro, desde que os produtos sejam preparados de forma adequada, respeitando as normas de higiene e cocção. Essa comunicação clara é essencial para evitar reações desproporcionais do mercado interno e proteger a imagem do produto brasileiro junto aos consumidores.
A ABPA destacou que o Brasil possui zonas livres da gripe aviária e que, dependendo da evolução da situação, é possível retomar as exportações de forma regionalizada. Ou seja, embarques poderão ser autorizados a partir de estados não afetados, conforme avaliação dos importadores e negociações bilaterais. A entidade também afirmou que está em diálogo constante com os principais parceiros comerciais, oferecendo informações técnicas e reforçando o compromisso do setor com padrões internacionais de controle sanitário.
O episódio mostra como eventos sanitários podem impactar severamente o comércio exterior, mesmo em setores altamente consolidados como o de proteína animal. O desafio, agora, é agir com transparência, técnica e velocidade para preservar os mercados conquistados ao longo de décadas e manter a confiança internacional na produção avícola brasileira. A situação exige monitoramento constante e articulação entre governo, setor produtivo e comunidade internacional. A retomada das exportações dependerá da contenção efetiva dos focos da doença, da certificação das áreas livres e da manutenção de canais diplomáticos ativos. A resposta coordenada das autoridades será determinante para garantir a recuperação do setor e preservar o protagonismo do Brasil como maior fornecedor global de carne de frango.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/agro/exportacao-de-frango-do-brasil-cai-apos-embargos-por-gripe-aviaria/
https://forbes.com.br/forbesagro/2025/05/exportacao-de-carne-de-frango-do-brasil-cai-15-em-maio/