No primeiro semestre de 2025, a importação de carros elétricos e híbridos pelo Brasil registrou queda de 21%, totalizando US$2,7 bilhões em automóveis leves adquiridos no exterior. A retração ocorre em meio à reoneração do imposto de importação para veículos eletrificados, implementada de forma gradual desde julho de 2024. A política prevê aumentos progressivos até 2026, com o objetivo de estimular a produção nacional e equilibrar a competitividade com a indústria local.
Essa mudança na política fiscal brasileira contrasta com a tendência global de expansão dos veículos eletrificados. Segundo a consultoria Rho Motion, o mercado mundial de carros elétricos — que inclui modelos 100% elétricos e híbridos plug-in — cresceu 24% em junho de 2025, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O crescimento foi impulsionado especialmente pela China e pela Europa, que seguem liderando a transição para a mobilidade elétrica.
Na China, as vendas de veículos elétricos aumentaram 28% no período, atingindo 1,11 milhão de unidades comercializadas apenas em junho. O país asiático mantém políticas de incentivo robustas, combinadas com uma ampla oferta de modelos, sobretudo de marcas locais, e preços altamente competitivos. Como resultado, os chamados NEVs (New Energy Vehicles) já ultrapassam os modelos a combustão em participação de mercado no país.
A Europa também se destacou com avanço de 23% nas vendas, somando 390 mil unidades em junho. A região mantém políticas públicas favoráveis, como subsídios e incentivos fiscais em países como Alemanha e Espanha. Apesar dos desafios econômicos, a oferta crescente de modelos com preços acessíveis tem sustentado a demanda por veículos eletrificados.
Em contraste, a América do Norte registrou retração. Nos Estados Unidos, as vendas de carros elétricos caíram 1% em junho, reflexo de políticas menos favoráveis adotadas pela nova gestão de Donald Trump, incluindo cortes em incentivos fiscais. O Canadá também acompanhou essa tendência, resultando em um recuo regional de 9%, com pouco mais de 140 mil unidades vendidas.
O protagonismo das marcas chinesas no cenário global é outro fator relevante. Montadoras como BYD, MG e Leapmotor não apenas dominam o mercado doméstico, como estão em plena expansão na Europa e em países emergentes. Investimentos em redes de distribuição e instalações fabris fora da China fazem parte da estratégia para contornar barreiras tarifárias, como a tarifa de 25% imposta pelos EUA.
Enquanto o Brasil enfrenta os efeitos da reoneração e vê a importação de elétricos recuar, o mercado global segue em forte expansão, com players asiáticos e europeus consolidando sua liderança. Resta acompanhar como a política industrial brasileira se ajustará a esse novo contexto de transformação acelerada na mobilidade.