Navios que evitam Israel estão seguros no Mar Vermelho, afirmam Houthis: impacto para rotas do Brasil aos EUA, Europa e Ásia

Os rebeldes Houthis, baseados no Iêmen, anunciaram que navios comerciais que transitarem pelo Mar Vermelho sem escalas no porto de Haifa, em Israel, não serão mais alvos de ataques. A declaração marca uma mudança parcial na postura do grupo, que desde o final de 2023 vem realizando ações ofensivas contra embarcações ligadas, direta ou indiretamente, a Israel. A trégua condicional, entretanto, não se aplica a navios que fizerem qualquer escala em território israelense, que continuarão sendo considerados alvos militares.

A nova diretriz traz um possível alívio para o comércio global, especialmente para países que dependem do Canal de Suez como principal corredor marítimo entre a Ásia, Europa e América. No caso brasileiro, exportadores que operam via portos como Salvador, Rio de Janeiro, Vitória e Santos poderão ser favorecidos em rotas com destino a Estados Unidos, Países Baixos (via Rotterdam), Alemanha, Turquia, Japão, Coreia do Sul, Índia e China, desde que os trajetos sejam planejados sem escalas em Israel.

Além disso, no cenário global, os países e portos internacionais que podem se beneficiar incluem:

  • Egito (porta de entrada do Canal de Suez – Porto de Suez)
  • Grécia
  • Espanha
  • Bélgica
  • Turquia
  • Emirados Árabes Unidos
  • Singapura

Esses destinos e origens poderão voltar a ser mais acessíveis via Mar Vermelho, desde que as rotas sejam consideradas neutras e não envolvam Israel.

Apesar da sinalização, analistas em segurança marítima continuam alertando sobre a volatilidade do cenário. Os Houthis são apoiados pelo Irã e operam de forma descentralizada, o que dificulta previsões e compromissos de longo prazo. Muitas companhias de navegação seguem relutantes em retomar operações plenas pela rota do Mar Vermelho, diante da possibilidade de novas ofensivas ou mudanças súbitas na estratégia dos rebeldes.

Para o Brasil, cuja economia depende amplamente do transporte marítimo, o Canal de Suez é uma rota fundamental para exportações de carnes congeladas, frutas frescas, café, minério de ferro, celulose, produtos automotivos e máquinas industriais. Desde o agravamento do conflito, embarcadores brasileiros têm enfrentado aumentos de frete, prêmios de seguro marítimo mais elevados e prazos de entrega estendidos em até duas semanas devido à necessidade de contornar o Cabo da Boa Esperança.

Com a trégua parcial em vigor, algumas companhias globais já cogitam retomar gradualmente suas operações pelo Canal de Suez, priorizando rotas seguras que evitem qualquer conexão com Israel. Isso pode beneficiar países como Egito, Grécia, Espanha, Bélgica, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Singapura, além de reequilibrar os fluxos comerciais de e para o Sudeste Asiático e Oriente Médio, reduzindo pressões de capacidade nos portos africanos e nos custos logísticos.

Mesmo assim, a situação geopolítica continua instável. Em comunicado recente, os Houthis reafirmaram que seus ataques têm como objetivo pressionar Israel e seus aliados em resposta ao conflito com a Palestina. A permanência dessa postura coloca em xeque a previsibilidade das operações na região, dificultando qualquer retomada plena do tráfego marítimo internacional sem garantias de estabilidade duradoura.

Empresas brasileiras seguem em estado de alerta, monitorando a evolução dos acontecimentos com apoio de agentes de carga e consultorias especializadas em gestão de risco. A expectativa é de que, com o alívio parcial, haja uma readequação das rotas nas próximas semanas, permitindo maior fluidez nos embarques e redução gradual nos custos logísticos. Ainda assim, a recomendação é de planejamento criterioso, sem escalas de risco, e revisão constante de itinerários conforme o cenário evolui.

Diante desse contexto, importadores e exportadores devem buscar parceiros logísticos confiáveis e constantemente atualizados sobre a situação no Mar Vermelho. O momento exige decisões rápidas, flexibilidade operacional e atuação estratégica para garantir a continuidade dos fluxos comerciais em meio às incertezas geopolíticas.


Fonte:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgrj44dr22xo
https://valor.globo.com/mundo/noticia/2024/10/04/bloqueio-dos-houthis-no-mar-vermelho-afeta-todo-mercado-global-de-transporte-de-conteineres.ghtml
https://www.seatrade-maritime.com/security/houthis-warns-ships-not-to-call-israel-s-port-of-haifa

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