A infraestrutura portuária do Nordeste está passando por uma transformação significativa. Com investimentos públicos e privados que podem superar R$ 4 bilhões nos próximos anos, a região se consolida como um polo estratégico para o escoamento agrícola e a distribuição de cargas para o mercado interno.
Crescimento acima da média nacional
Os portos nordestinos registraram crescimento expressivo:
- 330 milhões de toneladas movimentadas em 2024
- Alta de 3,52%, acima da média nacional de 1,32%
- Crescimento adicional de 1,14% até agosto de 2025
Esses números refletem dois movimentos: a expansão econômica da região, com projeções de crescimento anual de 3,2% entre 2027 e 2034, e a consolidação de novos corredores logísticos que ligam o Matopiba e o Centro-Oeste aos portos do Nordeste.
Infraestrutura estratégica em expansão
A região se beneficia da chegada de novos projetos que devem alterar profundamente a matriz logística brasileira:
- Transnordestina, com operação prevista para 2027–2028, integrando a produção agrícola ao Porto do Pecém.
- Corredor Ferroviário Leste-Oeste (Fico + Fiol), cuja licitação está prevista para 2026, conectando Lucas do Rio Verde (MT) ao litoral da Bahia.
- Hidrovias do Parnaíba e São Francisco, ampliando as alternativas de escoamento multimodal.
Essas iniciativas dialogam com operações já consolidadas. Em 2024, o Porto do Itaqui movimentou quase 22 milhões de toneladas de grãos e fertilizantes, impulsionado pelas conexões com as ferrovias Norte-Sul e Carajás.
Investimentos públicos: dragagem, ampliação e novos terminais
O governo federal anunciou:
- R$ 350 milhões em intervenções como dragagens nos portos de Suape, Recife e Natal.
- 11 leilões realizados desde 2023, que já garantiram R$ 184,75 milhões em novos investimentos.
- Até 2026, R$ 647,25 milhões devem ser atraídos com licitações de novos terminais de granéis, contêineres e passageiros.
Investimentos privados: Suape e Itaqui ganham protagonismo
Entre os principais aportes privados estão:
- R$ 1,6 bilhão da APM Terminals no novo terminal de contêineres de Suape, com capacidade para 400 mil TEUs por ano.
- R$ 1,16 bilhão no Tegram, que ampliará sua capacidade de 15 para 23,5 milhões de toneladas.
Esses projetos prometem reduzir gargalos, como filas de navios que chegam a 35 dias durante o pico da safra.
Concessão do Porto de Aratu: um divisor de águas
O Ministério de Portos e Aeroportos também avança no plano de concessão parcial do Porto de Aratu-Candeias, com leilão previsto para 2026. O modelo proposto é o Landlord Port, no qual o Estado mantém a propriedade, enquanto o operador privado desenvolve novas áreas, terminais e berços.
O secretário nacional de Portos reforça que Aratu e Itaqui são os portos com maior potencial para projetos greenfield no Nordeste, devendo ganhar papel central na expansão da infraestrutura regional.
Desafios: conectividade e velocidade ferroviária
Mesmo com avanços expressivos, o setor produtivo destaca gargalos importantes:
- Necessidade de duplicação das BR-101 e BR-116
- Baixa velocidade ferroviária:
- FCA operando a 11 km/h
- Transnordestina Logística (FTL) a 7 km/h
- FCA operando a 11 km/h
A ampliação da conectividade intermodal é vista como fundamental para maximizar o impacto dos investimentos previstos.
Fonte: