Em um movimento estratégico para consolidar sua presença na América Latina e no Caribe, o presidente chinês Xi Jinping anunciou uma nova linha de crédito de US$ 9 bilhões aos países membros da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos). A medida foi apresentada durante a Reunião Ministerial do Fórum China-Celac, realizada em Pequim, e vem acompanhada da promessa de aumentar as importações da região e incentivar novos investimentos em infraestrutura por parte de empresas chinesas.
Xi reforçou que China e América Latina compartilham a missão comum de desenvolver o Sul Global e defendeu que a independência econômica é uma tradição que deve ser preservada. O líder chinês aproveitou a ocasião para criticar as tarifas comerciais unilaterais impostas por grandes potências, como os Estados Unidos, e destacou que o compromisso chinês com a região será ampliado, mesmo diante de um cenário econômico global mais cauteloso.
O Fórum acontece num momento em que países latino-americanos buscam reequilibrar suas relações comerciais, especialmente após a imposição das tarifas do “Dia da Libertação” pelo presidente norte-americano Donald Trump. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente no encontro, aproveitou para alertar os demais países sobre os riscos de excessiva dependência financeira de qualquer grande economia, destacando a necessidade de autonomia e cooperação regional.
Ainda assim, o Brasil segue como o principal parceiro comercial da China dentro da Celac. Em 2024, quase metade dos US$ 240 bilhões em exportações da região para a China partiram do Brasil, sobretudo de commodities agrícolas. A China, por sua vez, mantém o foco em garantir o abastecimento alimentar e fortalecer cadeias logísticas com países estratégicos da América do Sul.
Apesar do otimismo, a nova linha de crédito representa menos da metade do valor oferecido por Pequim na edição inaugural do Fórum, em 2015. Segundo analistas, isso reflete tanto a desaceleração da economia chinesa quanto uma postura mais seletiva na concessão de financiamentos. Um diferencial, no entanto, está no uso do iuan (RMB) em vez do dólar, o que pode beneficiar países com altas dívidas externas ao reduzir a exposição cambial.
Além do crédito, Xi também anunciou a expansão do regime de isenção de vistos para cinco países latino-americanos (ainda não divulgados), em uma tentativa de aprofundar os laços comerciais e diplomáticos. O engajamento chinês também é visto como forma de isolar Taiwan, já que parte dos poucos aliados diplomáticos da ilha estão localizados na América Latina. O Haiti e Santa Lúcia, que ainda reconhecem Taiwan, participaram do encontro, evidenciando a crescente influência de Pequim na região.