A escalada do conflito entre Irã e Israel no Oriente Médio já provoca impactos perceptíveis na economia brasileira, especialmente nos setores de combustíveis, fretes e comércio exterior. O Irã controla o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 25% de todo o petróleo comercializado no mundo. Qualquer instabilidade nessa região afeta diretamente os preços internacionais do petróleo. Na última sexta-feira (13), o barril do tipo Brent subiu mais de 10%, atingindo US$ 75,15 — o maior valor em cinco meses. Isso já se reflete no custo dos combustíveis no Brasil, o que pressiona o frete rodoviário, o preço de produtos e a inflação de modo geral.
Além da alta nos combustíveis, operadores logísticos já relatam uma crescente dificuldade no transporte marítimo. O número de navios disponíveis no Golfo Pérsico diminuiu, e as tarifas dispararam. Os contratos futuros de frete (FFAs) na rota TD3C — que liga o Oriente Médio à Ásia — subiram de US$ 11 para quase US$ 14 por tonelada em poucos dias. Esse aumento afeta diretamente os custos logísticos de importações e exportações brasileiras, principalmente para cargas a granel e commodities agrícolas. O transporte aéreo também foi impactado: após os ataques, Irã, Israel, Iraque e Jordânia fecharam seus espaços aéreos, ocasionando diversos cancelamentos de voos e redirecionamentos que aumentam tempo e custo das rotas internacionais.
Do ponto de vista comercial, o Brasil tem laços relevantes com os países envolvidos. Em 2024, as exportações brasileiras para o Irã somaram US$ 3 bilhões, sendo 56% soja e farelos, 31% milho e 14% açúcares. Nas importações, o destaque é para os fertilizantes, que representaram 74% do total. Já com Israel, o fluxo comercial foi de US$ 725 milhões em exportações, com o petróleo bruto respondendo por 30%, carne bovina por 23% e soja por 11%. A instabilidade ameaça diretamente esses setores, tanto pelo risco logístico quanto pela volatilidade nos preços e no câmbio.
Outro fator de preocupação é o deslocamento da demanda global. Como o Irã vende grande parte de sua produção de petróleo à China, uma eventual interrupção nas exportações iranianas obrigaria os chineses a buscar novos fornecedores, como o Brasil. Isso aumentaria a demanda e, por consequência, os preços no mercado internacional. Além disso, os ataques israelenses têm se concentrado em refinarias de petróleo e gás iranianas, elevando o risco de escassez na oferta global de combustíveis. Esses fatores agravam o cenário e dificultam ações do Banco Central para reduzir os juros no Brasil, já que a inflação tende a ser pressionada ainda mais.
O agronegócio brasileiro — um dos mais expostos à crise — pode ser diretamente afetado pela alta dos fertilizantes, além de enfrentar dificuldades logísticas para exportar para o Oriente Médio. O encarecimento do frete e a instabilidade nas rotas aumentam os custos de produção e reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Além disso, empresas que dependem de insumos importados de países da região enfrentam atrasos e custos adicionais, impactando toda a cadeia industrial e agrícola.
Por fim, a crise também amplia a volatilidade no câmbio, o que eleva os custos de importações em dólar e pode afetar o planejamento financeiro de empresas que operam com comércio exterior. Embora o Brasil esteja geograficamente distante do conflito, os efeitos são imediatos e significativos, sobretudo em um cenário globalizado e com forte dependência de petróleo, fertilizantes e rotas comerciais estáveis. Caso a situação entre Irã e Israel continue a se agravar, é possível que os efeitos econômicos se intensifiquem nas próximas semanas.
Fonte: MDIC – https://www.gov.br/mdic