Durante a cúpula do G7, realizada em Kananaskis, Canadá, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, oficializaram um novo acordo comercial que prevê a redução de tarifas sobre diversos produtos entre os dois países. A assinatura foi realizada nesta segunda-feira, 16 de junho de 2025, com o objetivo de fortalecer as relações bilaterais e impulsionar o comércio exterior.
O acordo, no entanto, não inclui as tarifas sobre o aço, um dos temas mais sensíveis nas negociações. Segundo os líderes, ainda estão em andamento discussões específicas para determinar se as tarifas aplicadas sobre o aço poderão ser zeradas no futuro, conforme estava previsto em um acordo provisório anterior. A ausência desse item gera apreensão, sobretudo no setor siderúrgico.
O pacto prevê a redução dos impostos de importação dos Estados Unidos sobre carros, alumínio e outros produtos britânicos, enquanto, em contrapartida, o Reino Unido se compromete a ampliar o acesso de produtos norte-americanos ao seu mercado, com destaque para carne bovina, etanol e outros itens agrícolas. Apesar do anúncio, o acordo não entrou em vigor de imediato, o que tem gerado incertezas entre empresários britânicos, que temem eventuais aumentos repentinos de tarifas impostos pelos Estados Unidos.
O avanço nas negociações marca uma tentativa de retomada e fortalecimento das relações comerciais entre as duas potências, especialmente em um cenário global de crescentes tensões comerciais e guerras tarifárias. Entretanto, a falta de definição sobre o aço permanece como um ponto crítico e sensível para ambas as economias, que dependem fortemente desse insumo em cadeias industriais estratégicas.
Analistas apontam que, embora o acordo represente um passo positivo, ele deixa evidente as dificuldades em equilibrar interesses domésticos com as demandas do comércio internacional. O setor siderúrgico dos EUA, historicamente protegido por tarifas elevadas, pressiona pela manutenção dessas barreiras para proteger empregos e a indústria local. Por outro lado, o Reino Unido busca maior acesso ao mercado norte-americano, incluindo produtos siderúrgicos, que são essenciais para sua economia.
Outro ponto de atenção está relacionado às eleições norte-americanas. A postura de Trump em manter tarifas sobre o aço é vista como uma estratégia política voltada para agradar sua base eleitoral em estados industriais. Isso pode gerar um impasse nas negociações, caso as tratativas avancem para além das eleições, podendo impactar diretamente os rumos do acordo.
Além disso, especialistas destacam que o Reino Unido, ao buscar ampliar seu acesso aos mercados internacionais após o Brexit, vê no acordo uma oportunidade estratégica para reforçar sua presença no mercado americano. Contudo, a falta de clareza sobre itens cruciais, como o aço, pode limitar os ganhos esperados no curto prazo e prolongar as incertezas para setores produtivos de ambos os países.
De toda forma, o acordo sinaliza um movimento relevante na reorganização das cadeias globais de comércio, que vêm sendo impactadas por tarifas, tensões diplomáticas e mudanças nas políticas comerciais desde a pandemia e, mais recentemente, pela escalada das guerras tarifárias entre os EUA e a China. A expectativa é que, nas próximas semanas, as delegações avancem nas tratativas restantes, especialmente no que diz respeito ao setor siderúrgico, considerado fundamental para o equilíbrio do comércio bilateral.
Fonte: Estadão – https://www.estadao.com.br