O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve sua projeção de crescimento econômico para o Brasil em 2,2% para 2025, conforme divulgado em seu relatório trimestral, publicado no dia 17 de janeiro. Essa previsão reflete um cenário misto para a economia brasileira, que em 2024 registrou um crescimento de 3,7%. Contudo, o organismo internacional indicou que, apesar da expansão expressiva observada em 2024, o Brasil enfrentará desafios econômicos consideráveis nos próximos anos, incluindo uma desaceleração do ritmo de crescimento e a continuidade das pressões inflacionárias. O FMI também revisou positivamente as expectativas de crescimento para a América Latina como um todo, mantendo a projeção de uma expansão regional de 2,5% para 2025, impulsionada principalmente pelo desempenho de economias como a Argentina, que deverá registrar uma recuperação robusta de 5,0% após enfrentar uma recessão severa em 2024. Para o México, o FMI ajustou suas previsões de crescimento para 2025, reduzindo a expectativa para 1,4%, devido à desaceleração econômica global e ao impacto da redução do estímulo fiscal.
O Brasil, que experimentou um crescimento considerável em 2024, enfrenta desafios mais complexos no curto e médio prazo. O desempenho positivo de 3,7% registrado em 2024 foi sustentado principalmente pelo consumo interno, que foi alimentado por uma recuperação gradual da confiança do consumidor e pela retomada do setor de serviços. No entanto, o crescimento robusto também trouxe consigo pressões inflacionárias, que foram evidentes ao final de 2024, quando a inflação registrou 4,83%, um valor ligeiramente superior ao limite superior da meta do Banco Central, que é de 3,25%. O FMI enfatizou que, apesar da desaceleração gradual da inflação nas economias avançadas, o Brasil ainda enfrenta um cenário inflacionário desafiador, exacerbado pela combinação de altas taxas de juros e o aumento dos custos internos, como os preços de alimentos e combustíveis.
Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, alertou sobre a necessidade de o Brasil enfrentar esses desafios inflacionários com medidas eficazes, que envolvem não apenas o controle da política monetária, mas também reformas estruturais que possam aumentar a produtividade e a competitividade da economia. A taxa de juros no Brasil permanece elevada, com o Banco Central mantendo os juros em 12,25% como uma medida para controlar a inflação. No entanto, essa estratégia tem implicações sobre a atividade econômica, dificultando a retomada do crescimento, principalmente no que se refere ao crédito e ao consumo, que são elementos essenciais para a recuperação pós-pandemia.
Para o México, a desaceleração também é uma preocupação central. O FMI projeta que o crescimento do país caia para 1,4% em 2025, afetado pela redução do estímulo fiscal interno e pela desaceleração da economia dos Estados Unidos, que é o principal parceiro comercial do México. Além disso, a incerteza política e a necessidade de reformas fiscais mais profundas são fatores que também pesam sobre as expectativas de crescimento para a economia mexicana. O FMI sugeriu que o México precisa fortalecer suas políticas internas para reduzir a dependência dos fluxos comerciais com os Estados Unidos e explorar novas oportunidades de crescimento dentro da América Latina.
Em contraste, a Argentina apresenta um cenário mais sombrio a curto prazo, com o FMI projetando uma queda de 2,8% em 2024 devido à continuidade da recessão. O país enfrentou uma grave crise econômica nos últimos anos, com altas taxas de inflação, um mercado de câmbio volátil e uma dívida externa crescente. Contudo, o FMI destacou que a expectativa para 2025 é otimista, prevendo uma recuperação de 5,0%, à medida que o país se beneficia de reformas econômicas e da recuperação da confiança dos investidores, além do possível aumento nas exportações de commodities.
O FMI também observou que, apesar das dificuldades de curto prazo, há um potencial significativo para a recuperação econômica da América Latina, impulsionado pelo comércio intra-regional e pela demanda por recursos naturais, especialmente no Brasil e na Argentina, grandes produtores agrícolas e minerais. A revisão das previsões de crescimento para a América Latina reflete a confiança renovada nas políticas de estímulo e na adaptação das economias locais a um ambiente global mais desafiador.
Em suma, o FMI mantém uma perspectiva cautelosa para o Brasil, destacando a necessidade de políticas econômicas mais equilibradas que possam garantir não apenas o controle da inflação, mas também a criação de um ambiente mais favorável ao crescimento sustentável. Para o Brasil, isso envolve a continuidade da disciplina fiscal, a implementação de reformas estruturais, e o monitoramento contínuo da política monetária, com o objetivo de mitigar os impactos negativos da desaceleração econômica global e das pressões internas sobre a inflação. O cenário é de desafios econômicos, mas também de oportunidades, especialmente para a manutenção da confiança dos consumidores e investidores, que serão determinantes para a trajetória de crescimento nos próximos anos.
Fontes:
https://www.reuters.com/world/americas/imf-raises-latin-american-growth-forecast-2024-2024-10-22/
https://exame.com/mundo/fmi-mantem-em-22-a-previsao-de-crescimento-do-brasil-para-2025/
https://elpais.com/mexico/economia/2024-10-22/el-fmi-reduce-por-tercera-vez-su-pronostico-de-crecimiento-para-mexico-15-en-2024.html