A assinatura do Acordo de Parceria entre o MERCOSUL e a União Europeia, em 17 de janeiro de 2026, marca um dos momentos mais relevantes do comércio internacional contemporâneo. Após mais de duas décadas de negociações, o acordo consolida uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões.
Sob a ótica institucional, o acordo fortalece as relações entre os blocos não apenas no campo econômico, mas também no político e regulatório, ao reafirmar compromissos com o multilateralismo, a previsibilidade normativa, a defesa da democracia e dos direitos humanos. Esse ambiente tende a aumentar a confiança dos agentes econômicos e estimular investimentos de longo prazo.
Reflexos diretos na logística internacional
A ampliação do comércio bilateral deverá provocar aumento relevante nos fluxos de cargas entre a América do Sul e a Europa, com impactos diretos sobre:
- Transporte marítimo e aéreo, com maior demanda por espaço e frequências;
- Portos, terminais e retroáreas, exigindo ganhos de eficiência operacional;
- Gestão de fretes internacionais, com novas rotas, negociações e estratégias de custo;
- Processos aduaneiros e compliance, diante da harmonização de regras e maior complexidade operacional;
- Planejamento logístico e cadeia de suprimentos, com integração mais intensa entre fornecedores, distribuidores e operadores logísticos.
Para empresas exportadoras, importadoras e operadores logísticos, o acordo amplia oportunidades, mas também exige planejamento estratégico, adaptação operacional e atenção às mudanças regulatórias que acompanharão a implementação do tratado.
Inserção internacional e diversificação de mercados
O Acordo MERCOSUL–UE está alinhado à política brasileira de diversificação de mercados e fortalecimento da inserção internacional, que já resultou em acordos com Singapura e com a EFTA, além de negociações em andamento com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Vietnã e na ampliação do acordo de preferências tarifárias com a Índia.
Nesse contexto, a logística assume papel central como fator de competitividade, conectando mercados, reduzindo custos e garantindo fluidez às operações de comércio exterior.
A consolidação do acordo abre um novo ciclo para o comércio internacional entre os dois blocos, reforçando a importância de uma logística eficiente, integrada e estrategicamente planejada para capturar os benefícios desse novo cenário.
Fonte:
https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/noticias/2026/acordo-mercosul-ue