O Porto de Paranaguá, um dos principais corredores de exportação do Brasil, alcançou a marca de 48,65 milhões de toneladas movimentadas até setembro de 2025. O volume confirma sua importância estratégica no escoamento de grãos, commodities agrícolas e cargas gerais. Com a intensificação das exportações, especialmente no segundo semestre, o complexo portuário reforça seu papel como ponto central da logística nacional.
Entretanto, esse avanço vem acompanhado de desafios que já sinalizam riscos de atrasos. O aumento do número de navios aguardando atracação pressiona a capacidade atual dos berços e eleva o tempo médio de espera, o que gera custos adicionais para armadores, exportadores e importadores. A situação é monitorada pelas autoridades portuárias, mas especialistas alertam que a tendência pode se agravar nos períodos de safra.
No transporte terrestre, a sobrecarga das rodovias que conectam o interior produtivo ao porto continua sendo um ponto crítico. Relatos recentes destacam que más condições de estradas atrasam a chegada da produção agrícola, prejudicando o fluxo contínuo de caminhões. Em épocas de pico, esse cenário resulta em longas filas, com impacto direto na eficiência logística. Ainda que não haja, no momento, registros de congestionamentos extremos como os observados em Santos, os riscos permanecem presentes.
As condições climáticas também representam fator de vulnerabilidade. Chuvas intensas, que historicamente já levaram à paralisação parcial das operações, continuam a ser motivo de preocupação. O aumento de paradas relacionadas ao clima neste ano reforça a necessidade de infraestrutura mais resiliente, capaz de reduzir os impactos desses episódios sobre a movimentação portuária.
Para enfrentar esses gargalos, o Porto de Paranaguá investe em projetos de modernização. A ampliação do calado para graneleiros já permite maior capacidade de carga em cada navio, reduzindo a pressão sobre os terminais. Além disso, está prevista a concessão do canal da Galheta em leilão, com investimento estimado em R$ 1,1 bilhão, que inclui obras de aprofundamento e alargamento do acesso marítimo. Essas iniciativas visam aumentar a competitividade do porto frente à crescente demanda internacional. No contexto urbano, medidas complementares estão em andamento. Investimentos em drenagem, como no Parque São João, buscam mitigar o impacto de alagamentos que dificultam o tráfego rodoviário de cargas. Tais obras, embora pontuais, são vistas como parte de um esforço mais amplo para garantir maior fluidez logística no entorno da região portuária.
Mesmo com essas melhorias planejadas, especialistas destacam que a velocidade de crescimento da movimentação portuária pode superar o ritmo das obras. A falta de intervenções mais profundas nos acessos rodoviários e a dependência de condições climáticas favoráveis mantêm incertezas no horizonte. A experiência de Santos, com atrasos recorrentes por congestionamentos, serve de alerta para Paranaguá, que pode enfrentar gargalos semelhantes caso medidas estruturais não sejam implementadas de forma acelerada.
O cenário atual revela um equilíbrio delicado: enquanto os números da movimentação comprovam o vigor do porto e a relevância do agronegócio brasileiro no comércio global, os gargalos logísticos apontam a urgência de investimentos e de um planejamento mais integrado entre autoridades portuárias, operadores logísticos e órgãos governamentais. A capacidade de antecipar e mitigar esses desafios será determinante para que Paranaguá mantenha sua competitividade e evite atrasos que comprometam cadeias globais de suprimentos.
Fontes:
https://folhadolitoral.com.br/editorias/porto-de-paranagua/porto-de-paranagua-amplia-calado-para-navios-graneleiros-e-aumenta-capacidade-de-exportacao/
http://portosdoparana.pr.gov.br/Pagina/Tempo-Real