Apesar das ameaças de Donald Trump em relação à China, uma nova guerra comercial entre os dois países pode ser evitada, já que o ex-presidente tem sinalizado disposição para negociar. Segundo Robert Daly, diretor do Kissinger Institute, embora Trump tenha considerado a imposição de tarifas adicionais de 10% sobre produtos chineses, ele ainda não oficializou a medida. Daly acredita que a situação se desenvolverá de forma gradual, com tentativas de acordo antes de uma possível escalada do conflito.
A China, por sua vez, vê oportunidades para um possível acordo, especialmente considerando a preparação para um segundo governo Trump e a busca por novos mercados, principalmente no Sul Global, além de sua crescente liderança em indústrias-chave como energia verde. Acredita-se que um possível acordo poderia envolver a China assumindo novos compromissos em troca da suspensão das tarifas que Trump planeja.
Ainda há incertezas sobre o quanto Trump estará disposto a confrontar a China globalmente, ou se ele se concentrará mais em resolver a balança comercial. Daly sugere que o ex-presidente pode priorizar questões internas e acordos com países próximos aos EUA, o que poderia criar um novo espaço para a China expandir sua influência, especialmente na América Latina e África. Mesmo com um acordo comercial, a China provavelmente continuará seu avanço geopolítico e econômico em outras regiões.
Além disso, Daly ressalta que, embora um possível acordo entre os EUA e a China possa trazer uma pausa nas tensões comerciais, isso não significa que as questões subjacentes entre os dois países sejam resolvidas de forma permanente. A China tem se fortalecido em várias áreas estratégicas, incluindo a construção de infraestrutura e investimentos em mercados emergentes, como o Brasil, e continuará a buscar novas formas de expandir sua influência. Para os Estados Unidos, isso representa um desafio, pois enquanto Trump pode se concentrar em questões internas e regionais, a China está se posicionando como um ator global cada vez mais assertivo. Isso coloca os EUA em uma posição delicada, pois precisam equilibrar suas prioridades domésticas com a necessidade de responder ao crescente poder e influência da China no cenário internacional.
Por outro lado, mesmo com a possibilidade de um acordo, o impacto desse entendimento comercial será limitado diante da crescente rivalidade entre as duas potências. A China tem se consolidado como um líder estratégico em várias regiões, como África e Ásia, com iniciativas como a Nova Rota da Seda, que busca fortalecer a sua influência global. Embora um acordo comercial possa suavizar as tensões imediatas, ele não mudará a dinâmica de poder entre os dois países. O desafio para os EUA será se adaptar a um mundo multipolar, no qual a China, ao lado de outras potências, vai definir as novas regras do jogo geopolítico.
Além disso, competição tecnológica permanece um dos maiores obstáculos nas relações EUA-China. Ambos os países são líderes em áreas-chave como inteligência artificial, 5G e energias renováveis, mas suas estratégias divergem consideravelmente. A guerra tecnológica, longe de ser resolvida por um acordo comercial, representa uma ameaça crescente para a segurança nacional e a liderança global de ambos os países. Mesmo que as tarifas sejam suspensas ou renegociadas, a rivalidade tecnológica continuará a ser um campo de disputa constante, onde cada movimento estratégico terá um impacto significativo nas relações bilaterais.
Fontes:
https://www.reuters.com/world/us/draft-trump-trade-memo-targets-us-trade-deficit-china-purchases-us-exports-2025-01-20/
https://www.reuters.com/markets/china-extend-tariff-exemptions-some-us-products-2025-2024-11-29/
https://elpais.com/internacional/2025-01-17/trump-y-xi-hablan-por-telefono-de-tiktok-el-comercio-y-el-fentanilo-en-visperas-de-la-investidura-del-presidente-estadounidense.html