O governo brasileiro confirmou oficialmente a entrada do Vietnã como país parceiro do BRICS, consolidando a nação asiática como o décimo integrante nesta categoria especial, ao lado de Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão. A decisão reforça a estratégia do bloco de ampliar sua influência global, buscando fortalecer as relações com economias emergentes e diversificar suas alianças políticas e econômicas.
Criada na XVI Cúpula do BRICS, realizada em Kazan, na Rússia, em outubro de 2024, a categoria de país parceiro foi desenvolvida como uma solução diplomática para expandir a rede de cooperação do bloco sem a necessidade de novos membros plenos. Esses países parceiros garantem presença nas Cúpulas do BRICS, nas reuniões de ministros das Relações Exteriores e podem participar de fóruns temáticos, grupos de trabalho e outras instâncias de discussão estratégica, desde que haja consenso entre os membros permanentes. Além disso, têm a possibilidade de endossar declarações conjuntas, comunicados oficiais e acordos multilaterais assinados no âmbito do bloco.
Do ponto de vista geopolítico, a adesão do Vietnã como parceiro reforça o interesse do BRICS em consolidar sua presença na Ásia e ampliar sua atuação em mercados estratégicos. O Vietnã, que é considerado uma das economias de crescimento mais acelerado do mundo, tem papel fundamental nas cadeias globais de produção, especialmente nos setores de tecnologia, manufatura, têxteis e agricultura.
No campo econômico, a aproximação fortalece uma relação comercial que vem crescendo de forma expressiva. Atualmente, o Vietnã ocupa a quinta posição entre os maiores destinos das exportações do agronegócio brasileiro, refletindo uma integração comercial cada vez mais robusta. Em 2025, o comércio bilateral já se aproxima de US$ 8 bilhões, valor que supera mercados tradicionais da Europa como Portugal, Reino Unido e França.
Entre os principais produtos exportados do Brasil para o Vietnã em 2024 estão:
- Entre os principais produtos exportados do Brasil para o Vietnã em 2024 estão:
- Algodão: US$ 1,01 bilhão
- Milho: US$ 948 milhões
- Soja em grãos: US$ 472 milhões
- Farelo de soja: US$ 376 milhões
- Trigo: US$ 287 milhões
O Brasil também é responsável por cerca de 70% da soja consumida pelo Vietnã, além de se consolidar como o principal fornecedor de carne suína para o mercado vietnamita, atendendo à crescente demanda do setor de proteína animal daquele país.
A expectativa é que a entrada do Vietnã como parceiro do BRICS facilite ainda mais as negociações comerciais, promova a redução de barreiras tarifárias e não tarifárias e estimule a assinatura de acordos bilaterais nas áreas de logística, infraestrutura, tecnologia, energia renovável e segurança alimentar. Além disso, abre espaço para um maior fluxo de investimentos cruzados e para a integração em cadeias produtivas estratégicas, tanto no Brasil quanto no Sudeste Asiático.
Por fim, a aproximação entre Brasil e Vietnã dentro do escopo do BRICS sinaliza um movimento mais amplo de fortalecimento da diplomacia multilateral entre os países do Sul Global, desafiando as dinâmicas tradicionais de comércio e influência dominadas pelos países desenvolvidos.
Fonte: MDIC – https://www.gov.br/mdic