Congestionamento nos portos afeta as exportações do café brasileiro

O aumento no preço do café brasileiro tem gerado discussões, principalmente sobre a sua exportação. Em janeiro de 2025, o preço FOB do café não torrado exportado pelo Brasil subiu 63,9% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, atingindo US$ 5,41/kg. Apesar dessa alta nos preços, o volume de exportações continua a crescer, mas os portos brasileiros enfrentam problemas logísticos que prejudicam o escoamento da produção cafeeira.

Esses gargalos logísticos têm causado sérios prejuízos aos exportadores. Em 2024, cerca de 1,8 milhão de sacas de café ficaram retidas nos portos, resultando em perdas de R$ 51,5 milhões. A principal causa desses problemas foi a rolagem de cargas, quando contêineres programados para embarcar são deixados para trás e transferidos para outros navios, gerando custos extras e até a perda de negócios internacionais.

A situação é mais grave no Porto de Santos, responsável por 75,3% das exportações de café em janeiro de 2025. Nesse porto, 77% dos navios sofreram atrasos ou mudanças nas escalas. Além disso, 40 navios não receberam autorização para atracar, agravando ainda mais os problemas no escoamento da produção. Esses atrasos não só geram prejuízos financeiros, mas também afetam a reputação do Brasil no mercado internacional, fazendo com que importadores busquem outros países produtores.

O congestionamento nos portos brasileiros é uma questão antiga, mas tem se intensificado nos últimos anos devido ao aumento nas exportações e à falta de investimentos adequados em infraestrutura. O Brasil bateu um recorde de exportações em 2024, enviando 50,5 milhões de sacas de café, o que sobrecarregou ainda mais os portos. Além disso, fatores como a falta de dragagem e a demora na liberação de cargas contribuem para os problemas logísticos.

O Ministério de Portos e Aeroportos do Brasil anunciou investimentos significativos para melhorar a infraestrutura portuária, com um orçamento de R$ 19,7 bilhões em 2025, sendo R$ 1,7 bilhão de recursos públicos e R$ 18 bilhões do setor privado. O projeto mais importante é o Tecon Santos 10, um novo terminal no Porto de Santos, que visa aumentar a capacidade operacional e reduzir os gargalos logísticos.

Além desses investimentos públicos, empresas privadas também estão se envolvendo para melhorar a infraestrutura portuária. A CMA CGM, por exemplo, adquiriu 48% da Santos Brasil, com a intenção de modernizar os portos e aumentar a eficiência. O governo também está incentivando a expansão do modal ferroviário, o que pode reduzir a dependência do transporte rodoviário e melhorar a logística de exportação. Essas ações buscam garantir que o Brasil continue sendo o maior exportador de café do mundo, mantendo sua competitividade no mercado global.

Fontes:
https://revistaoeste.com/agronegocio/cafe-brasileiro-fica-60-mais-caro-fora-do-brasil/
https://globorural.globo.com/agricultura/cafe/noticia/2025/02/exportacoes-de-cafe-do-brasil-caem-16percent-em-janeiro-mas-receita-aumenta-em-60percent.ghtml
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/portos-receberao-cerca-de-r-20-bi-de-investimento-em-2025

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