Empresários dos EUA pedem que Trump negocie tarifas com Brasil: ‘impacto para consumidores e suprimentos’

Empresários norte-americanos estão pressionando os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva a iniciarem negociações urgentes para evitar a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com vigência prevista para 1º de agosto. Em nota conjunta, a U.S. Chamber of Commerce e a Amcham Brasil alertam que a medida pode gerar danos significativos a uma das relações econômicas mais relevantes para os Estados Unidos, além de estabelecer um precedente perigoso em meio a tensões políticas mais amplas. O comunicado destaca que a tarifa impactaria diretamente produtos essenciais para cadeias de suprimentos e consumidores americanos, aumentando os custos para famílias e reduzindo a competitividade de setores estratégicos da indústria dos EUA.

Segundo as entidades, mais de 6.500 pequenas empresas norte-americanas dependem de produtos importados do Brasil, e aproximadamente 3.900 companhias dos EUA possuem investimentos ativos em território brasileiro. Além disso, o Brasil figura entre os dez principais mercados de exportação dos Estados Unidos, com um fluxo anual de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços. Diante desse cenário, as instituições defendem uma solução pragmática, negociada e construtiva, que evite a escalada do conflito comercial e garanta a continuidade de um comércio bilateral considerado mutuamente vantajoso.

Paralelamente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) solicitou ao governo Lula que negocie um adiamento de 90 dias para a entrada em vigor da tarifa, argumentando que esse prazo é crucial para que o setor industrial possa avaliar melhor os impactos e buscar soluções diplomáticas. Durante reunião com representantes do setor e com a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Lacerda Prazeres, foi apresentada uma estimativa preliminar que aponta a perda de pelo menos 110 mil postos de trabalho e fortes impactos negativos no PIB brasileiro caso a tarifa seja implementada como anunciada.

No mesmo dia em que as pressões diplomáticas se intensificaram, o governo brasileiro publicou no Diário Oficial da União o decreto que regulamenta a chamada Lei da Reciprocidade Econômica. A medida, aprovada pelo Congresso em abril, estabelece critérios para retaliar economicamente países ou blocos que adotem medidas unilaterais contra o Brasil, incluindo suspensão de concessões comerciais, investimentos e obrigações relativas à propriedade intelectual. Embora o texto não cite diretamente os Estados Unidos, ele foi interpretado como uma resposta ao anúncio de Trump.

A Lei da Reciprocidade permite que o Brasil trate cidadãos e governos estrangeiros com o mesmo rigor com que o país for tratado, estendendo-se desde medidas econômicas até o campo diplomático. O objetivo, segundo o governo, é defender a competitividade internacional da economia brasileira em cenários de hostilidade comercial, com instrumentos legais que ampliem o poder de reação frente a sanções ou barreiras.

Diante da crescente tensão, a U.S. Chamber e a Amcham Brasil reiteraram seu compromisso de colaborar com os dois governos para evitar prejuízos bilaterais. A expectativa agora gira em torno de uma possível rodada de negociações diplomáticas antes da data-limite de 1º de agosto. O desfecho dessas tratativas poderá determinar não apenas o destino imediato das exportações brasileiras aos Estados Unidos, mas também o tom das relações comerciais entre as duas maiores economias do continente americano.

Fontes:
https://www.infomoney.com.br/economia/empresarios-americanos-pedem-negociacoes-contra-tarifa-de-50-dos-eua-sobre-brasil/
https://cbn.globo.com/economia/noticia/2025/07/15/empresarios-dos-eua-pedem-para-trump-nao-impor-tarifas-de-50percent-contra-brasil.ghtml

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