EUA Perdem Status de Ativo Seguro e São Vistos com Risco Fiscal “BBB”, ao Lado de Itália e Grécia

Os Estados Unidos estão enfrentando crescente desconfiança dos mercados financeiros globais quanto à sua sustentabilidade fiscal. Em junho de 2025, economistas e analistas passaram a considerar o risco fiscal dos EUA comparável ao de países como Itália e Grécia — ambos classificados com notas de crédito na faixa “BBB” por agências internacionais. Essa mudança reflete o aumento acelerado da dívida pública americana e a falta de consenso político para conter o déficit orçamentário.

A classificação “BBB” é atribuída a países considerados ainda “grau de investimento”, mas com maior risco de inadimplência ou instabilidade fiscal do que nações com notas superiores, como “A” ou “AA”. Embora ainda seja um grau aceitável para investimentos institucionais, ela indica preocupações com a capacidade do governo de manter suas contas sob controle no médio e longo prazo. A perda de credibilidade fiscal pode aumentar os juros da dívida, pressionar moedas e reduzir a atratividade de investimentos em dólar.

O termo ganhou destaque após relatórios recentes apontarem que os títulos do Tesouro americano estão sendo negociados com spreads semelhantes aos de países classificados como “BBB”. Isso significa que investidores estão exigindo prêmios de risco mais altos para comprar dívida dos EUA, algo impensável há alguns anos, quando o país era considerado o ativo mais seguro do mundo. Essa percepção de risco reflete a deterioração contínua das contas públicas e a crescente polarização política, que dificulta a aprovação de medidas de ajuste.

Em 2023, a agência Fitch rebaixou a nota de crédito dos EUA de “AAA” para “AA+”, citando uma piora nas métricas fiscais e falta de governança orçamentária. Em 2025, a Moody’s seguiu o mesmo caminho, reduzindo a nota de “Aaa” para “Aa1”. Essas ações, somadas à sinalização de que os fundamentos fiscais continuarão se deteriorando, pavimentaram o caminho para que o mercado passasse a tratar os EUA como um risco “BBB” de fato — ainda que a nota oficial não tenha chegado a esse ponto.

A dívida pública dos Estados Unidos atingiu 123% do PIB em 2024 e pode ultrapassar 130% até 2035, segundo projeções da Fitch. O déficit orçamentário também preocupa: em 2023, ele fechou em 8,8% do PIB, pressionado por gastos crescentes com previdência, saúde e juros da dívida. Sem reformas estruturais, analistas temem que a trajetória de endividamento se torne insustentável, com impactos diretos sobre os mercados financeiros globais.

Para importadores e exportadores brasileiros, essa nova percepção de risco tem implicações práticas. A alta dos juros nos EUA tende a encarecer o crédito internacional, dificultando financiamentos para operações de comércio exterior. Além disso, a instabilidade fiscal americana pode gerar volatilidade cambial e afetar contratos atrelados ao dólar, influenciando preços de frete, commodities e investimentos logísticos.

Operadores logísticos e empresas brasileiras devem monitorar esse cenário com atenção. Uma eventual piora na classificação de risco dos EUA pode provocar uma reprecificação generalizada de ativos globais, com efeitos indiretos sobre o fluxo de capitais para mercados emergentes. A dependência do Brasil em relação ao sistema financeiro internacional torna o país particularmente sensível a oscilações na confiança dos investidores estrangeiros.

Fonte: https://www.reuters.com/markets/us/moodys-downgrades-us-aa1-rating-2025-05-16/
https://www.infomoney.com.br/economia/fitch-alerta-que-deterioracao-fiscal-nos-eua-pode-levar-a-rebaixamento-de-rating/
https://www.moneytimes.com.br/fitch-corta-nota-dos-eua-veja-as-6-razoes-para-rating-baixar-de-aaa-para-aae-um-alento/

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